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sábado, 14 de maio de 2011

A CANA DE AÇÚCAR NA ALIMENTAÇÃO DOS RUMINANTES

             A cana de açúcar, ao contrário do que muitos pensam, é uma planta forrageira. Além disso, é uma das gramíneas que possui maior produtividade por área. A cana tem origem na Ásia, mas já habita os solos brasileiros há muito tempo. Ela chegou ao Brasil na época do descobrimento, trazida pelos portugueses para a produção de açúcar. Hoje, além de se destacar na produção de açúcar e álcool, também se destaca na alimentação dos ruminantes durante o período seco do ano.

A cana é muito útil na alimentação dos ruminantes por resultar em uma grande quantidade de energia produzida por área e por possuir um alto teor de matéria seca. E afinal, o que é a matéria seca? A matéria seca é a parte do alimento que pode ser convertida em nutrientes. É a porção sólida do alimento, ou seja, é o alimento menos a água que o compõe.

As vantagens do uso da cana são:

a) Simplicidade para manter e conduzir a lavoura;

b) O pico de produção coincide com o período de escassez de pastos;

c) Conservação do seu valor nutritivo;

d) Baixo custo de implantação.

A cana é só vantagem? Infelizmente não! Um problema muito comum que ocorre nas propriedades, durante o período seco, é a alimentação dos animais somente com a cana de açúcar. Quando fornecida como único alimento, a cana tem um baixo valor nutritivo porque o balanceamento dos seus nutrientes não supre as exigências nutricionais dos ruminantes. Isso ocorre devido à cana possuir baixos teores de proteína, extrato etéreo e baixa quantidade de minerais essenciais. Essa quantidade baixa de alguns nutrientes traz a conseqüência de um baixo consumo do alimento. O ponto forte da cana de açúcar é o seu alto teor de carboidratos, ou seja, açúcares, sobretudo a sacarose. Portanto, a cana não pode ser utilizada como única fonte de alimento para o seu animal.

O teor de proteína na cana, como já foi dito, é sempre baixo (inferior a 7%). Isso não é bom, pois para que haja uma fermentação ruminal adequada, o alimento deve ter um valor mínimo de aproximadamente 7% de proteína. Caso a proteína esteja abaixo disso, há uma limitação do desenvolvimento das bactérias do rúmen. Então por que se usa a cana de açúcar na alimentação animal?

A cana possui as vantagens justificadas nos tópicos acima e, além disso, pode ser balanceada, pela associação com outros alimentos para atender as exigências do animal. A alimentação dos animais com cana exige correção do nitrogênio para aumentar o seu teor de proteína. Para essa correção, a uréia se apresenta como uma oportunidade acessível e barata. No entanto, somente a cana com uréia não é suficiente! Também é importante que se tenha uma fonte de enxofre com a finalidade de que os microorganismos do rúmen do seu animal não tenham seu trabalho limitado. Logo, como fonte de enxofre, o sulfato de amônio aparece como uma boa opção.

Apesar das vantagens trazidas pela cana, deve-se ter critério no uso dessa formulação, pois a utilização da cana de açúcar com uréia e sulfato de amônio possibilita, basicamente, uma manutenção dos animais para o período seco. Um exemplo é que essa alimentação não satisfaz uma produção desejada para vacas em início de lactação ou animais em crescimento. Para o gado de corte, é possível alimentar os machos e as fêmeas em reprodução.

           Resumindo, a cana com uréia e sulfato de amônio é uma opção para manter o estado corpóreo dos seus animais, mas não para buscar uma produção ou aumento de produção.
Escrito por Pedro Ivo, Médico Veterinário e Extensionista Rural


Referências Bibliográficas:
1. Manzano, R.P.; Penati, M.A; Nussio, L.G. Cana de açúcar na alimentação de bovinos. FEALQ, 2ª edição. Piracicaba, SP. 2004.
2. Magalhães, A.L.R.; Campos, J.M.S.; Filho, S.C.V; Torres, R.A; Neto, J.M.; Assis, A.J. Cana de Açúcar em substituição à silagem de milho em dietas para vacas em lactação: desempenho e viabilidade econômica. R. Bras. Zootec., v.33, n.5,p.1292-1302, 2004.

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