Para que a glândula mamária da vaca tenha um descanso e possa produzir, pelo menos, a mesma quantidade de leite na próxima lactação, é muito importante que o produtor pratique o período seco em suas vacas. Esse descanso é realizado para permitir que células epiteliais danificadas da glândula mamária se regenerem e para possibilitar que essas células aumentem em quantidade para a próxima lactação. Estudos mostram que o período seco deve ser de, no mínimo, 35 dias. No entanto, o ideal é que seja de 50 a 60 dias.
O período seco consiste em 3 fases:
1) Involução ativa caracterizada por regressão do tecido secretor;
2) Fase de descanso da glândula mamária;
3) Lactogênese.
Para comprovar a importância do período seco, Smith et al (1966) usaram o modelo de metade do úbere, em que dois quartos mamários de cada vaca seca foram continuamente ordenhados enquanto outros sofreram o descanso por 60 dias. O resultado foi de que os quartos que não foram descansados produziram somente 56% a 62% do total produzido pelos quartos que foram descansados.
A ausência do período seco não interfere somente na quantidade de leite produzido, mas também na qualidade do colostro, pois vacas não submetidas ao período seco demonstram uma redução na quantidade de proteína secretada. Portanto, isso pode gerar uma menor imunização do bezerro recém-nascido, que é de fundamental importância para a sua sobrevivência.
Além de preservar a produção de leite, o período seco pode causar um menor desgaste à vaca. O desenvolvimento do feto ocorre de forma mais acelerada nos 60 a 90 dias antes do parto. Com isso, neste período ocorre uma grande demanda de nutrientes da mãe para o feto. Caso a vaca ainda esteja produzindo leite, ela terá que demandar uma energia adicional para a produção. Portanto, a interrupção da produção causa um menor desgaste à vaca, nessa fase.
Entre os pesquisadores, é consenso de que a redução do período seco está relacionado a diminuição da produção de leite na lactação seguinte. Contudo, a decisão de encurtar este período é econômica e a vantagem de se reduzir os dias secos dependerá da produção de leite nos dias extras de ordenha e da próxima lactação, além de levar em consideração a ocorrência de doenças metabólicas e de fatores relacionados ao manejo.
Como fazer a secagem?
O método de secagem se baseia em alterar os mecanismos da vaca que influenciam a produção de leite, como a alimentação e seus fatores psíquicos (ex: presença do bezerro, ambiente e manejo).
1) Realizar testes diagnósticos de mastite, como a caneca telada ou de fundo preto e CMT. Caso o animal apresente mastite, ele não estará apto para a secagem e deve-se proceder o tratamento para a infecção. Se a vaca não tiver mastite, ela estará apta para o processo de secagem.
2) Fazer o esgotamento da vaca e introduzir um antibiótico de longa ação em cada quarto mamário. Esses antibióticos são as as chamadas bisnagas para "vaca seca".
3) Deve-se suspender o fornecimento de ração à vaca e modificar o seu ambiente. Portanto, a vaca não deve permanecer no local onde está acostumada a ser ordenhada e deve ser levada a um pasto diferente do que está acostumada. É importante que essa comida não tenha uma qualidade tão boa quanto a que ela estava comendo, logo, se houver algum piquete na propriedade onde o pasto esteja mais "passado", este é o lugar da vaca seca.
4) Não limitar a ingestão de água.
5) É muito comum que algumas vacas, depois do processo de secagem, apresentem enchimento do úbere com leite, novamente. Mesmo que isso aconteça, a vaca não deve ser ordenhada e a indicação é que seja observada para ver se o úbere não apresenta inflamação (vermelhidão, inchaço). Caso apresente, deve-se iniciar o tratamento para mastite.
É esperado que em duas semanas, as vacas já estejam completamente secas e, após esse período, devem voltar a ter uma alimentação de qualidade.
Escrito por Pedro Ivo, Médico Veterinário e Extensionista Rural
Referências bibliográficas:
1. ALVES, N.G; BITENCOURT, L.L. Fatores determinantes da produção de leite - Lavras: UFLA/FAEPE, 2008. 1ª ed. 41p.
2. RASTANI, R.R.; GRUMMER, R.R.; BERTICS, S.J. et al. Reducing Dry Period Length to Simplify Feeding Transition Cows: Milk Production, Energy Balance and Metabolic Profiles. Journal of Dairy Science, v.88, p. 1004-1014, 2005.
3. RIBEIRO, A.C.C.L. Instrução Técnica para o Produtor de Leite nº 3 – Método de secagem de vacas. Embrapa, 2006.
4. SMITH, A.; WHEELOCK, J. V.; DODD, F. H. Effect of milking throughout pregnancy on milk yield in the succeeding lactation. Journal of Dairy Science, v. 49, p. 895-896, 1966.

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